Qual o melhor horário de luz para fotografar?

Atualizado: 30 de Set de 2020

Texto: Carolina Engler.

28 de agosto de 2020.

Muito se fala nesse assunto e não é de hoje... Me lembro ainda menina, quando nem fotografava ainda, de escutar os adultos conversando sobre o tema. Até as caixinhas de filme traziam dicas sobre iluminação!


A resposta mais responsável para esta questão é que depende do seu estilo, do efeito que deseja para sua imagem - isso quando podemos escolher o horário, pois não dá para desconsiderar que as vezes fotografamos quando as coisas acontecem e não quando queremos. Enquanto escrevo este artigo me lembro de quando levei alunos do curso de fotografia aqui do Ateliê Cromo para fotografar a lavagem da escadaria da catedral aqui de Campinas/ SP... O auge do evento foi por volta de 13h - uma luz muito dura - mas na circunstância não cabia escolher o horário, o que dá é para escolher a abordagem... Mas isso é assunto para um outro post!


Divagações a parte, voltemos ao tema: se o conceito de melhor iluminação é relativo, o mais interessante é pensar quais são as características da iluminação nos vários horários do dia, ao longo do ano e da posição geográfica na qual estamos. De forma que já adianto que as referências de horário são com base na minha experiência principal que é fotografar no sudeste.


Entre o nascer do sol e 7h30 mais ou menos a luz é suave, de baixo contaste e produz sombras longas. O mesmo se dá por volta de 17h até o sol se pôr, com a diferença que no fim do dia a luz vai ser mais quente do que logo cedo. Este é meu tipo preferido de iluminação, particularmente a do fim do dia, já que sou uma pessoa mais vespertina e noturna. É um tipo de iluminação propício para abordagens mais dramáticas por conta do tipo de sombra que produz.


O meio da manhã (entre 8h e 10h30) e o meio da tarde (entre 14h30 e 16h30) é um horário mais neutro, digamos assim - e muitos consideram como o melhor horário para fotografar. A luz não é muito dura nem muito suave e a cor da luz é equilibrada, nem quente nem fria.


Já o meio do dia (entre 11h e 13h30) é uma luz muito dura, de contraste forte e sombras profundas. E muito se diz que é uma luz ruim para fotografar... Contudo, embora eu não seja fã do horário, acho que generalizar dizendo que é uma luz ruim é simplismo. Pois existem bons exemplos de uso criativo dessas características, como, por exemplo, "O cão sem plumas" de Maureen Bisilliat inspirado na obra homônima de João Cabral de Melo Neto. A luz reforça a aridez da vida dos trabalhadores do mangue.


Crianças procuram caranguejos no mangue
Foto Maureen Bisilliat

No quesito posição geográfica o assunto é mais complexo... Tive um aluno físico certa vez e ele estava me explicando que a luz tem um componente elétrico e outro magnético e que a proporção entre os dois varia e isso impacta na característica da luz do local. É de conhecimento geral que no nordeste às 9h da manhã a luz já é muito dura (parecido com a luz das 11h aqui na minha região), achava que era a proximidade com o equador... Mas quando estive em Manaus e Belém a luz não era tão dura... Então o importante é observarmos a luz ao longo do dia para cada local onde estivermos. Aliás, é uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo... Queria poder fazer uma coleção de luz!

Aproveitem as dicas, um abraço e até o próximo post!

Carolina

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