Ritmos

Projeto vencedor do edital do FICC - Fundo de investimento em Cultura de Campinas no ano de 2012 - Juliana Engler e Carolina Engler.

r i t m o s

Juliana Engler #  Carolina Engler

 

Os ritmos adquirem  especial  sentido na nova série de fotografias das artistas Carolina Engler e Juliana Engler.

 

Harmonicamente e de formas singulares, ritmos nos apresenta uma pesquisa poética sobre corpos em movimento.

 

Aqui, o que os move são melodias, danças, rituais e expressões corporais impregnadas de identidades culturais diversas.

 

Os sons que formam uma melodia possuem, quase sempre, durações diferentes. Este jogo de durações configura um ritmo. Poético, sonoro ou corporal, ele geralmente é produzido por uma ordenação de vários elementos.

 

Assim como no trabalho das fotógrafas, onde a maneira de ordenar elementos formais e poéticos configuram um jogo de olhar que cria ritmos visuais.

 

A poética do corpo na fotografia é um interesse recorrente na trajetória artística de Juliana Engler, bem como as constantes pesquisas sobre suportes, que criam uma nova significação da imagem.  Nos trabalhos desta série,  transparência e deslocamento buscam, através do ritmo das sombras, uma sutil tridimensionalidade da expressão corporal. As imagens dos corpos parecem se projetar na direção do espectador, deixando um rastro de sua passagem.

 

Carolina Engler lança sobre os corpos um olhar antropológico, pensando seus gestos como elementos construtores de uma identidade. Em seus trabalhos, o corpo é um vestígio que se insere na paisagem urbana -  um território de ruídos silenciosos - ritmados pela arquitetura e pela perspectiva. O movimento habita o corpo, que habita a cidade em planos que se con(fundem) em camadas de tempo e espaço, pois a cidade aqui é resgatada do arquivo pessoal da artista, constituído ao longo dos anos.

 

Ritmos configura uma composição que nos revela mo(vi)mentos de vários grupos sociais e manifestações de diferentes origens geoculturais. Ao mesmo tempo, nos traz a poesia da diversidade cultural na cidade de Campinas, campo de investigação das artistas.

 

Uma cidade que é corpo-lugar, carregada de memória e simbolismos, em constante movimento.

                                                                                                                                                                                                                                                              Ana Helena Grimaldi