A poética enigmática de Francesca Woodman

Atualizado: há 5 dias

Texto: Carolina Engler.

20 de maio de 2020.

Sempre enfatizo para os alunos do curso de fotografia aqui no Ateliê Cromo em Campinas / SP a necessidade de se criar um repertório visual e conhecer os grandes mestres da fotografia, para hoje teremos Francesca Woodman!



Fotógrafa extremamente precoce e talentosa, Francesca Woodman começou fotografar aos 13 anos quando ganhou uma câmera dos pais. Filha de artistas se fotografou obsessivamente até a sua morte aos 22 anos, por suicídio. Embora tenha posado para a maioria de suas fotos, seu trabalho não se enquadra no conceito clássico de autorretrato. Isso porque, segundo a própria artista, se usava como modelo por facilidade – nas suas palavras: “a vantagem é que estou sempre disponível”. Sua poética enigmática flerta com o surrealismo, de forma mais consistente e sistemática após sua estada em Roma; período no qual entra em contato com o movimento através da convivência com outros artistas do mencionado movimento. Depois desse período de formação em Roma, volta aos EUA e se instala em Nova York. Acaba vítima de uma depressão, por conta do sentimento de urgência que sente em ver sua carreira de artista deslanchar, soma-se a isso uma desilusão romântica.



Jovem artista, excêntrica e extremamente intensa em tudo. Sua produção traz com frequência vultos fantasmagóricos... Fotografias potentes que me remetem quase sempre ao sentimento de iminência de algo a acontecer... Imagens silenciosas, carregadas de drama, me levam sempre a esperar um desfecho que não vem. As imagens que foram produzidas obsessivamente me inspiram a obsessão de olhá-las, examiná-las e esperar esse desfecho dramático que sugerem.


Talvez o desfecho dramático tenha sido o seu próprio... Encerrando uma carreira tão promissora precocemente.




Um grande abraço e até o próximo post!!!

Carolina Engler

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