Luiz Garrido,simples e inusitado

29 Mar 2018

Fotógrafo do 14º episódio diz que fotografar se aprende observando a luz nas ruas, assistindo filmes no cinema e vendo muitos livros de fotografia.

 

 

No Olhar é uma websérie que exibe toda semana episódios com os principais fotógrafos e fotógrafas do Brasil. O projeto está em sua segunda temporada e tem apoio da Secretaria da Cultura de Estado do Paraná e Companhia de Energia Elétrica (Copel). As entrevistas têm o desafio de revelar ao expectador uma leitura mais apurada da fotografia e sua linguagem, além de contar de maneira intimista sobre as influências e histórias de vida desses profissionais. Os vídeos com duração de nove a 12 minutos são lançados todas as segundas-feiras no canal do youtube.com/noolhartv.

O convidado desta semana é o fotógrafo carioca Luiz Garrido, que iniciou sua carreira como correspondente da Revista Manchete em Paris. Ao retornar para o Brasil, em 1971, se dedicou aos editoriais de moda e publicidade até fundar a Casa da Foto, com mais três amigos, em 1982.

Conhecido por seus retratos singulares, nos quais busca captar algo da personalidade do modelo, Garrido cria imagens que fogem do habitual. Em uma das suas primeiras produções, um cartaz para um filme de terror, ele fotografou Maitê Proença com os olhos arregalados, contrariando a expectativa de um retrato mais sexy da jovem atriz. “Eles acharam lindo e fizeram o cartaz. Assim, tive a ter certeza que o retrato tem que ser diferente. Tem que trazer uma coisa inusitada, porque o óbvio não dá. A partir dessa ocasião, comecei a tentar tirar a alma do personagem, a essência dele”, descreve o fotógrafo.

Para ele, fotografar se aprende observando a luz nas ruas, a luz produzida pelo pintor num quadro no museu, assistindo filmes no cinema e vendo muita fotografia. Recorda da época em Paris, quando ainda era aprendiz e ouviu o conselho de um mentor para ir ao museu, sentar na frente de um quadro de Renoir ou Degas e ficar ali observando. “Ele falava pra você sentar e ficar lá vendo o quadro. Tem que parar e olhar. Então eu sentava no banquinho por 20 minutos olhando os quadros e aprendi a perceber a luz de um pintor. Tem que observar muito na rua, olhar as pessoas ao andar. A gente tem que perceber a vida pra aprender a fotografar”, conclui o fotógrafo.

Lembrar que nessa hora Garrido poderia ser economista e trabalhar num banco, mas garante que a fotografia é sua vida. “Talvez, se tivesse feito economia estaria aposentado pelo BNDS, mas fotografia é isso aí, as vezes sem máquina a gente fotografa com o olho. Se tem uma máquina ou outra, não interessa. O que interessa o é teu olho. Daí você vê o mundo assim e fotografa”, finaliza.

Sobre o projeto

De acordo com o diretor da websérie, Tiago Ferraz, a ideia de produzir o No Olhar surgiu da necessidade de encontrar informações sobre fotógrafos brasileiros compiladas em formato documental. “Hoje encontramos muitos tutoriais técnicos, mas ainda existe uma carência em conteúdo sobre linguagem fotográfica e sobre a trajetória dos fotógrafos.  Durante a produção da primeira temporada, percebemos que este projeto ia além de um simples registro e o que tínhamos em mãos era um acervo da memória da fotografia brasileira dos últimos anos”, complementa.

A busca pelo lado humanista dos entrevistados também aparece na contrapartida do projeto. Mais de 100 crianças da rede pública de ensino tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre fotografia, se deixando encantar pela arte, assim como relatou Walter Carvalho, no primeiro episódio. “Essa iniciativa é muito gratificante, pois promove a descoberta de novos talentos nas áreas menos favorecidas da sociedade”, acrescenta Ferraz.

 

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