Adriano Gambarini: 'Fotografia é entrega, luz e respeito'

5 May 2014

Foto: Adriano Gambarini

 

O fotógrafo de NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL transporta a paciência e o desapego de sua alma para a profissão.

 

"Tem água ou não tem água? Esta dúvida sempre surge às pessoas que veem a imagem. Produzi esta foto em 1997, em filme cromo. Tudo era regido de uma forma diferente; a noção sobre o que estava iluminando ou qual seria o resultado era incerto. A boa fotografia de caverna transitava entre o conhecimento de iluminação e insight.Foi por conta de uma matéria sobre paleontologia na maior caverna do Brasil, em parceria com um pesquisador americano financiado pela National Geographic Society, que publiquei minha primeira matéria na National Geographic americana, reproduzida em dezenas de outros países, em 2000. A revista estava nascendo no Brasil".

 

O que faz uma pessoa se dispor a aguentar 40 horas pendurado a 30 metros de altura, debaixo de uma pesada e sufocante lona verde, para fotografar um pato-mergulhão fêmea com os filhotes em não mais de 3 minutos? E suportar 20 horas sem água, comida ou pausa para urinar “apenas” para tirar fotos do raro cachorro-vinagre? Para a maioria das pessoas, a vida profissional de Adriano Gambarini desperta, no mínimo, curiosidade.

 

Fotógrafo de NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, formado em Geologia, Gambarini passou por situações extremas para conseguir suas imagens. Para os profissionais do ramo, os citados perrengues são, provavelmente, velhos companheiros. Conhecer esse fotógrafo, particularmente, revela como essência, profissão e modo de enxergar a vida se casam perfeitamente nele. E vivem uma plácida, frutífera e inspiradora relação.

 

A voz tranquila, quase um afago, traduz sem pudores seu âmago aberto. Nele, espaço e tempo são dimensões flexíveis, adaptáveis às condições ambientes – as necessidades do corpo, questões completamente secundárias. Nada disso importa frente ao momento presente, à imersão na natureza e a se tornar parte dela.

 

O que concretiza essas ideias é sua inabalável paciência. “É da minha alma. Quando você tá no mar e quer ultrapassar as ondas, você tem que entrar naquele movimento. A onda não vai mudar o tempo dela. Você tem que se adaptar ao tempo da onda pra ultrapassar a rebentação. E na fotografia é a mesma coisa”, relata.

 

A paciência o ajuda a ser um bom fotógrafo, mas não o levou à profissão. A origem de sua história com a fotografia reside em seu espírito viajante: a partir dos 14 anos de idade, impulsionou o paulista a mochilar pelo Brasil. Até começar a fotografar profissionalmente, aos 23 anos, as jornadas rendiam mais textos e poemas do que as fotos tiradas com sua Olimpus Trip. As viagens e a intensa curiosidade pela vida foram as bases para a formação de geólogo – e esta, enfim, a sua ligação posterior com a fotografia.

 

Para Gambarini, nada é por acaso. E nesse caso não foi mesmo. Quando começou a trabalhar com espeleologia (ciência que estuda cavernas), em 1988, sentiu a necessidade de aprender conceitos de fotografia, de investir em equipamento e de estudar o comportamento da luz com física óptica. Ele nunca fez curso: todo o conhecimento foi construído como autodidata. "Foi quando eu descobri que a alma da fotografia é a luz", pontua. Assim, as imagens das cavernas (e seu futuro) tomaram forma.

 

Em 1994, mostrou suas fotos de viagem de mochila na Bahia para um grupo de amigos. Entre eles, estava a editora de uma revista, que ligou para ele na semana seguinte e o chamou para trabalhar com ela naPesca Companhia, tirando fotos e viajando 15 dias por mês. “Nunca destinei minha vida a ser fotógrafo. Mas me chamaram porque precisavam de alguém que aguentasse o tranco de ser viajante. E eu gosto dessa dinâmica, dessa loucura", conta.

 

Fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/adriano-gambarini-especial-fotografia#1.

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