Ícone da fotografia de moda: a dramaticidade lúdica de Tim Walker

“The Dress/Lamp Tree”, de 2002 ©Tim Walker/Reprodução


Se a magia pode cristalizar-se em imagem, ela certamente o faz com frequência pelas lentes de Tim Walker. A beleza criada pelo fotógrafo transpõe a realidade e, mesmo por vezes às margens do kitsch, eleva-se à dimensão dos sonhos: lúdica, poética e ainda assim impactante. Ao longo de quase 20 anos de carreira, 15 deles ligados especialmente à edição britânica da “Vogue”, Walker já concebeu registros tão marcantes que se fundem à história da moda contemporânea, fato reconhecido não apenas por publicações ou empresas do segmento, como também por instituições renomadas, como o Victoria & Art Museum e a National Portrait Gallery, ambos em Londres, que possuem trabalhos do fotógrafo em seus acervos permanentes.


A estética característica de Walker, que evoca as épicas fábulas e contos de fadas de uma Europa longínqua, somada a sua discrição, encobertam a própria imagem do fotógrafo, nascido em 1970, na Inglaterra. Não é que Walker chegue à reserva de Steven Meisel, mas são raras as aparições públicas e até entrevistas concedidas pelo britânico. Em conversa com Penny Martin, gravada em junho de 2009 para o “SHOWstudio”, plataforma virtual fundada por Nick Knight, Walker relembra o início de sua trajetória, inclusive o momento em que pegou, pela primeira vez, em uma câmera: “Acho que tinha, provavelmente, 12 ou 13 anos. Talvez menos, nove ou 10. Estava com a minha família e não tinha uma máquina, então apanhei emprestada a do meu irmão. Foi muito natural, comecei a fotografar campos, árvores, as coisas a minha volta”.


O universo da fotografia converteu-se, espontaneamente, em uma paixão. Antes de entrar para a universidade, Walker trabalhou nos arquivos da “Vogue” britânica, em Londres, onde estão guardadas não apenas todas as edições da revista, mas também os negativos de milhares de fotografias já publicadas pela mesma. A experiência possibilitou, além do conhecimento de grande parte da obra de nomes importantes do meio, como Cecil Beaton e Richard Avedon, o entendimento da própria história da fotografia de moda. No entanto, a decisão de adotá-la como profissão só aconteceu após inúmeros questionamentos quanto à própria vocação: “Havia um aspecto técnico da câmera que me assustava porque não sou motivado ou interessado pela técnica. Não me interessa o modo de funcionamento [da câmera], mas me preocupo com o que está a minha frente. E pensei que, na verdade, seria stylist, porque adoro roupas. Não necessariamente só fazer o styling de roupas, mas de toda uma locação”, contou Walker na já citada entrevista ao “SHOWstudio”.


Após a graduação na Exeter Art College, Walker atuou por um tempo como assistente freelance de fotografia, em Londres. Pouco depois, mudou-se para Nova York, onde trabalhou com Richard Avedon, também como assistente, mas agora em período integral. Ao retornar para o Reino Unido, o inglês inicialmente se aventurou como fotojornalista para publicações locais, até que, aos 25 anos, conquistou sua primeira oportunidade nas páginas da “Vogue” britânica. Logo, seguiram-se as edições americana e italiana do título e, já nesta década, colaborações com a “W” e “i-D”, além de campanhas publicitárias para a Aquascutum, Dior, Valentino e Mulberry. Em 2008, Walker ganhou uma grande retrospectiva no Design Museum de Londres, o que coincidiu com o lançamento de seu livro, “Pictures”, e o recebimento do prêmio “Isabella Blow” do British Fashion Council.


Em 2009, o Centro Internacional de Fotografia de Nova York concedeu a Walker o prêmio “Infinity”, na categoria editorial e publicitária de moda. No ano seguinte, o britânico ganhou o prêmio ASME, da American Society of Magazine Editors, por “East Enders”, publicado na edição de setembro de 2010 da revista “W”. Ainda em 2010, Walker lançou seu primeiro curta-metragem, “The Lost Explorer”, vencedor do Chicago United Film Festival 2011. Independentemente de quaisquer premiações, no entanto, Walker converteu-se em ícone por sua obra, dotada de uma dramaticidade ímpar. As megaproduções cenográficas, que se assemelham mais ao teatro que à própria moda, vão além da temporalidade da última e dão a possibilidade de adentrar em um mundo à parte.


Fonte: http://ffw.com.br/noticias/cultura-pop/icones-da-fotografia-a-dramaticidade-ludica-de-tim-walker/.

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